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271 políticos são sócios de empresas de comunicação

A possibilidade de expor ao mundo ideais e pensamentos é tentadora e não escapa à classe política. No grupo dos donos da mídia no Brasil, os políticos têm notável representatividade. Para se ter uma idéia, 271 desses são sócios ou diretores de empresas de radiodifusão no país. Esses números não contabilizam aqueles que têm relações informais ou indiretas, como por exemplo, por meio de parentes ou laranjas.


Dos 27 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 20 estão representados por políticos como proprietários de veículos de radiodifusão. Os políticos do DEM saem na frente com 58 veículos e representam 24,1% do total da classe sócia de meios de comunicação. Os filiados ao PMDB aparecem em segundo lugar com 48 veículos em seu poder (17% do total), seguido dos políticos do PSDB com 43 canais de TV ou rádios.


São 147 prefeitos, 55 deputados estaduais, um governador, 48 deputados federais e 20 senadores com vínculo direto e oficial com os meios de comunicação. Os números fazem parte do projeto “Donos da Mídia”, que reuniu dados públicos e informações para montar um panorama completo da mídia no Brasil. O projeto do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom) mapeou os políticos que são proprietários de empresas de mídia, por meio do cruzamento de dados da Agência Nacional de Telecomunicações com a lista de parlamentares do país.


O coordenador do projeto “Donos da Mídia”, James Görgen, não descarta a possibilidade desses veículos de comunicação, em dado momento, servir para manter uma relação direta com o eleitorado. “Existe uma influência velada da administração da emissora e uma publicidade subliminar nos veículos que fabrica políticos, mantém a base de sustentação e lança novas candidaturas”, argumenta. O limite entre o jornalismo de qualidade transmitido nos veículos em questão se contrasta com os interesses da classe política. A questão é saber até que ponto o veículo é isento no processo de elaboração da notícia.


Para o pesquisador do Epcom, não há como fugir dos interesses. “Há sempre o interesse comercial ou político. No caso das concessões à classe política não é diferente, há o interesse político para garantir as bases eleitorais”, constata. Sobre a metodologia de concessão da radiodifusão no país, Görgen acredita que deve haver mudanças para dar mais transparência. “Criou-se uma praxe para que políticos relatem a concessão de outorgas para os seus respectivos estados, o que abre margem para esses beneficiarem amigos ou afetos políticos”, explica.


A deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG) acredita que a direção de emissoras de rádio e televisão são incompatíveis com a natureza do cargo político. A parlamentar foi relatora da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do ano passado, ainda não regulamentada, que acrescenta um parágrafo ao artigo nº 222 da Constituição. De acordo com o texto, um funcionário do Estado – investido em cargo público, foro especial ou no exercício parlamentar – não pode ser proprietário, controlador,

gerente ou diretor de empresa de radiodifusão, sob o argumento do conflito de interesses.

 

Amanda Costa – Contas Abertas

 

Leia mais www.contasabertas.com.br

 

 

 

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