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Artigo: O assassino também morreu!

Me espanta ler algumas manchetes pré-concebidas sobre o assassinato de 12 alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do Realengo, subúrbio do Rio de Janeiro, e perceber o quanto de irracionalidade nos tem sido inculcada pelo sistema de falsa democracia em que vivemos, de tal modo a considerar como natural a possibilidade de excluir o autor dos crimes, Wellington Menezes, de entre os mortos naquela situação.

Portanto, não condiz a afirmação repetida por alguns órgãos de imprensa, qual seja, “a de foram 12 mortes e 190 milhões de feridos”. Na verdade a manchete deveria destacar o seguinte: “13 mortos e 190 milhões de feridos”.

Na verdade, esses 190 milhões destacados como feridos, deveriam saber que há muito os mesmos estão feridos de morte até a alma. Não só por conta da violência que grassa entre a nossa pseuda sociedade civil organizada, justamente porque a nossa sociedade não se organiza em torno das questões que nos interessa a todos. Sim, pois, esses mesmos auto-intitulados “homens públicos”, os quais, depois do massacre concretizado e sem mais o que fazer para reverter a situação, vêm à público para desfrutarem das luzes dos holofotes que se fixaram sobre os cadáveres e seus familiares. Os mesmos, em nenhum momento anterior, fizeram uso de sua ‘suposta autoridade’, como representantes da vontade do povo e responsáveis por observarem as suas necessidades, não moveram sequer uma palha, em momentos anteriores — de maneira objetiva —, pela melhoria da segurança pública; inclusive no que tange à segurança no âmbito das escolas de modo geral.

Cada um deles, agora que os olhos do mundo globalizado, se volta, de novo, para o estado de violência que há anos se encontra instalado na cidade maravilhoso — título que nem os confrontos continuados entre quadrilhas do crime organizado e a polícia daquele Estado consegue apagar, pois, apesar dos pesares, como já disse Gilberto Gil, “o Rio de Janeiro continua lindo…” —, vai deitar falácia em cima desse fato nada isolado, posto que muitas chacinas anteriores e posteriores já se registraram por lá, só que sem tanto alarde. É o mesmo que se destacar, com manchetes escabrosas, a queda de um avião com a morte de centenas de passageiros mortos, sem dar o mesmo destaque para as centenas de mortes e feridos graves nos acidentes de trânsito registrados nas estradas de todo o País.

Hipocrisia pura! Pois, nenhum aparato que possa ser adaptado em nenhum lugar do mundo — e também nas escolas — seria ou será capaz de antever fatos como o ocorrido no fatídico dia 7 de março de 2.010. Hipocrisia pura; mil vezes! Pois, ninguém, muito menos as nossas autoridades que se auto-denominam ‘homens públicos’, adotaram uma atitude no mínimo eficaz no que tange a promoção de um melhor atendimento em termos de saúde pública. Eis que, da inoperância e desídia desses (mal) ditos ‘homens públicos’ — todos, sem exceção —, adveio a loucura evidente do autor desse famigerado massacre. Ou, alguém ainda ousaria duvidar que o assassino, Wellington, era portador de distúrbios mentais?

Hipocrisia, milhões de vezes, hipocrisia! Pois sabemos que desde que o mundo é mundo, um ato de violência se sobrepõe a outro, em todo o mundo; e também entre nós, humanóides deste país tupiniquim que seguimos pelas estradas de uma sobrevida que nos tem sido imposta (como se gados fôssemos e não gente!), por seguidas ordens e desordens, conquanto os impostos cobrados pelos ‘donos do poder quase absoluto’ sejam tantos, que o povo da casta inferior, mal consegue sobreviver. Mas, afinal, sobreviver para quê, se de um momento a outro, um “Wellington qualquer pode aparecer de arma em punho e fazer de qualquer de nós o que bem quiser”?!…

Gil “Brasileiro” Garcia, morador na cidade de Carapicuíba, assim como os 190 milhões de brasileirinhos de nenhum poder, sentiu na alma o assassinato das crianças no Rio de Janeiro; porém, sem esquecer de também sofrer pelo próprio assassino que, por falta de ajuda da parte das autoridades da área de saúde mental, também morreu.


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