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Jandira: 49 anos de saudade

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Nós que nascemos e fomos criados em Jandira temos uma relação toda especial com essa cidade. E não só nós, mas quem aqui a escolheu para viver. De um pequeno desvio na antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), ao que é hoje, cidade grande, com muitos problemas é claro, mas com um povo bonito, iluminado e que luta todos os dias na busca da realização de seus sonhos.

E, hoje, ao lembrar do aniversário de Jandira, não pude deixar de lembrar de algumas pessoas, situações que me trazem saudades e até tristezas, mas que de alguma maneira fizeram parte da minha infância e juventude, todas vividas em nossa querida Jandira.

Da via férrea, hoje CPTM, lembro-me da corrida de meus irmãos rumo à estação de trem, pois se ouvia daqui de casa o som do sinal que antecipava a chegada do trem rumo a Mairinque ou a Júlio Prestes.

Lembro-me do bar da estação, aquela feita em concreto armado, onde meu pai, homem simples, guarda noturno, tomava sua Jurubeba, e me pagava um nariz entupido (pãozinho enrolado com recheio de caramelo) a espera do trem, aquele azul, importado do Japão, tecnologia de ponta para época.

Lembro-me também da Câmara Municipal de Jandira, no centro, onde ao lado havia um deposito de carros apreendidos da polícia, onde eu e muitos amigos ao sairmos da escola Themudo Lessa, fazíamos questão de passar e arrancar um “olhos de gatos” das portas dos carros, para enfeitar nossos carinhos de rolimãs comuns naquela época.

Parece que estou vendo os funcionários do extinto Frigorifico Jandira que ao meio-dia saiam com seus macacões brancos rumo ao centro. E também lembrando do medo que dava quando minha mãe dizia que bois escapavam do frigorifico e invadiam o centro da cidade.

Da politica há muitas recordações boas e ruins, do Braz Paschoalin, lembro da sua Brasília laranja, que muitas vezes dava carona a nossa família que vinha da feira semanal de domingo. Do falecido Dorvalino lembro dele bem, em especial, quando a abertura da via expressa. Da distribuição de brinquedos feita no tablado, das festas juninas, entre outras histórias que jamais sairão de nossa memoria.

Hoje de alguma maneira as crianças que vivem em Jandira estão assustadas com a violência que a cidade viveu nos últimos anos, e podem não contar sua história como eu contei aqui algumas passagens, mas existe esperança, eu creio e peço, afinal em janeiro um novo prefeito assume e pode, se quiser, mudar a realidade e fazer de Jandira uma cidade melhor. O passado recente precisa ser apagado, e só assim o fará se houver compromisso. Esse é um relato pessoal, mas não tenho duvidas que muitas pessoas, moradoras de Jandira, assim como eu vivenciaram uma Jandira pequena e acolhedora, e tem fé que ela voltará a ser a cidade de nossos sonhos.

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2 Comentários

  1. daniel soares disse:

    ah, sim, pelo que lembro, os trens, chamados de caveirões, talvez porque as portas não mais de fechavam, eram verdes-garrafa, até os anos 80 inclusive, quando trabalhei na Bardella, onde o Bururu era boy…..

  2. daniel soares disse:

    caro Mack, escaparam várias jandiras no texto, assim, em caixa baixa; lembro do Frigojan, onde trabalhei nos anos 70 e pela data, devo ter jogado ao lado do Odair, da Maura, éramos ambos beques com uma camisa parecida com a do Juventude; continuo esperando seus comentários sobre as enquetes que sempre apontavam Bururu em vantagem e que passaram longe do resultado final da eleição…

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